Os selos e os media
Muitos leitores apontam o dedo à comunicação social quando procuram responsáveis pelo facto de as empresas envolvidas no caso dos selos terem actuado durante anos à luz do dia sem nunca serem investigadas.
Não deixam de ter razão. Esses negócios não só nunca foram alvo de denúncia na imprensa portuguesa – apareceram artigos, no ano passado, mas no "Financial Times" e no "Barrons" – como esses investimentos eram apresentados por alguns jornais como alternativas credíveis e simpaticamente rentáveis para as poupanças.
Os jornalistas foram, por isso, uma parte do problema, entrando na cadeias de falhas e omissões sucessivas que permitiu o que agora se sabe.
São, no entando, apressadas e pouco credíveis as acusações que tentam justificar os erros da imprensa com a cedência à pressão da publicidade ou até com a insinuação sobre o recebimento de pagamentos para publicar artigos. O problema é outro e tem a ver com a falta de preparação técnica nas matérias sobre as quais se escreve. Foi isso que impediu muita gente de perguntar: como é que alguém pode garantir taxas fixas de 6 ou 10 por cento nos próximos 10 anos quando a taxa central do BCE está nos 2,5 por cento? Ou de levantar um pouco o pano para analisar a fundo como funcionava, de facto, esse miraculoso investimento em selos. Foi isso que fizeram os dois jornais estrangeiros já citados.
Em sua defesa, os jornalistas podem sempre dizer que essas empresas tinham actividades públicas e que as próprias autoridades de supervisão só emitiram um aviso, cifrado, em Janeiro deste ano. Por isso, se o caso não levantava dúvidas a mais ninguém, devia levantar à imprensa? Devia, obviamente. Não o reconhecer é demitir a comunicação social de uma parte essencial do seu papel. Paulo Ferreira
Não deixam de ter razão. Esses negócios não só nunca foram alvo de denúncia na imprensa portuguesa – apareceram artigos, no ano passado, mas no "Financial Times" e no "Barrons" – como esses investimentos eram apresentados por alguns jornais como alternativas credíveis e simpaticamente rentáveis para as poupanças.
Os jornalistas foram, por isso, uma parte do problema, entrando na cadeias de falhas e omissões sucessivas que permitiu o que agora se sabe.
São, no entando, apressadas e pouco credíveis as acusações que tentam justificar os erros da imprensa com a cedência à pressão da publicidade ou até com a insinuação sobre o recebimento de pagamentos para publicar artigos. O problema é outro e tem a ver com a falta de preparação técnica nas matérias sobre as quais se escreve. Foi isso que impediu muita gente de perguntar: como é que alguém pode garantir taxas fixas de 6 ou 10 por cento nos próximos 10 anos quando a taxa central do BCE está nos 2,5 por cento? Ou de levantar um pouco o pano para analisar a fundo como funcionava, de facto, esse miraculoso investimento em selos. Foi isso que fizeram os dois jornais estrangeiros já citados.
Em sua defesa, os jornalistas podem sempre dizer que essas empresas tinham actividades públicas e que as próprias autoridades de supervisão só emitiram um aviso, cifrado, em Janeiro deste ano. Por isso, se o caso não levantava dúvidas a mais ninguém, devia levantar à imprensa? Devia, obviamente. Não o reconhecer é demitir a comunicação social de uma parte essencial do seu papel. Paulo Ferreira
Sr. Subdirector,
Anda gravemente distraído. A Dia D, revista de economica que o Público publica às segundas-feiras, avisou claramente dos perigos do investimento na Afinsa e na Fórum Filatélico, logo após o aviso conjunto do Banco de Portugal e da CMVM em Janeiro. É lamentável que não leia o seu jornal. Mais: em Maio de 2005, a revista Carteira também tinha avisado, antes do Financial Times e da Barron's. No artigo, a Carteira alertava para a Afinsa e a Fórum Filatélico, bem como para a Afinworld. E dizia: "Não se iluda: o risco continua a existir."
Espero que comece a ler o seu jornal e os bons trabalhos dos seus colegas jornalistas.
Xaxa
Publicado por
Xaxa |
3:04 PM
Mais do que entrar no campeonato do "eu fiz bem e os outros fizeram mal", o "post" pretendia comentar a percepção geral que os leitores têm do papel da comunicação social neste caso. Mas admito que isso não tenha ficado claro para todos.
Obviamente que conheço o trabalho da Dia D (não o da Carteira). Mas infelizmente essa árvore não faz a floresta. E é da floresta que o público tem percepção, como poderá avaliar pelos comentários. Olhar para o próprio umbigo, pegar numa boa excepção e tentar transformá-la na má regra, não levará a resultados brilhantes. Paulo Ferreira
Publicado por
Paulo Ferreira |
4:09 PM
Gostaria também de informar que muitos dos investidores iniciaram os respectivos investimentos antes de começar a aparecer qualquer noticia (e das que apareceram entretanto, algumas eram meros "zunszuns" e outras evindenciavam os méritos deste tipo de investimento) sobre possiveis perigos de investir em valores tangiveis, como no caso dos selos da Afinsa. Como os contratos com a afinsa têm a duração de 2, 3 anos (o mesmo mais, penso eu) sem a possibilidade de resgates antecipados (por isso é que a rentabilidade tb é maior que nos bancos), os investidores que iniciaram os investimentos à 2 ou mais anos não tinham qualquer informação sobre eventuais perigos; muito pelo contrario. Nessa altura informação sobre a credibilidade desse tipo de investimentos era boa. Quando algumas noticias menos optimistas começaram a aparecer em 2005 já era tarde para aqueles investidores que já tinham iniciado os investimentos na Afinsa. Saliento também que todas as informações existêntes na altura sobre o comportamento, sucesso e idoneidade da empresa quer sobre a pontualidade no resgate do capital e juros (nos finais do contracto)sempre foi exemplar não existindo queixas de qualquer expécie por parte dos investidores.
Publicado por
lavarasmaos |
10:14 AM